quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O que eu aprendi com o divórcio

Calma! Não me separei. Aliás, nem casada, nem namorando estou. É que esses dias eu li um texto da Lya Luft, na revista Veja, sobre separação e seus impactos na vida dos envolvidos. No texto ela fala sobre o longo período de curtição do sofrimento da morte do relacionamento, dos pontos positivos e negativos da separação e também da transformação dos sentimentos, ou seja, o carinho entre o casal vira rancor, frieza e ódio.

A meu ver, os pais, que são os atores principais nessa peça, sofrem, passam por momentos delicados, processos e burocracia. Mas acredito que os filhos sofrem muito mais.

Eu, por exemplo, não me lembro do processo de separação dos meus pais com detalhes, pois eu ainda tinha dois anos, mas das separações seguintes eu me lembro. Foram mais ou menos 6 separações em 23 anos.

A partir do momento que comecei a entender o assunto, implorava para que ficassem juntos. Chorava, tampava meus ouvidos com o travesseiro para não ouvir os gritos. Xingava cada um pelas decisões tomadas. Mas, de nada adiantava.

O que eu aprendi com tudo isso? Cresci muito em pouco tempo.

Aos 8 anos já cuidava das coisas de casa. Aos 10, ajudava a cuidar do meu irmão (com brigas, mas ajudava). Aos 11, já consolava minha mãe. Dos 12 aos 15, madrugava com ela à procura do meu pai pela cidade. E tudo isso cuidando da minha casa pra ela.

Aos 16 eu cansei. Decidi não chorar mais por isso. Aprendi que o melhor consolo para minha mãe era ouvir. Não adianta dar conselhos, passar a mão na cabeça. Basta oferecer nossos ouvidos para se sentirem confortadas.

Hoje eu sei o quanto uma separação é dolorosa, cansativa e desgastante. Pelo menos da perspectiva de filha. Será que é por isso que sofro tanto quando meus namoros acabam?

Se é ou não é, só Freud explica. E, para falar a verdade, não quero essa explicação.

Termino o post com uma frase que a Lya usou no texto dela. É a velha fórmula das estradas de ferro: Parar, olhar e escutar...

Significa que nós temos que parar para pensar, olhar todas as perspectivas e escutar a nossa alma. Só assim conseguiremos sair são e salvos de qualquer situação e, quem sabe até com um carinho especial pela pessoa que deixamos. Isso vale para tudo!

Ahá!

.Olívia.

2 comentários:

Yasmim disse...

Realmente um processo de separação é sempre doloroso, acabei de passar por um e tenho feito de tudo para que meus filhos não sofram tanto e não fiquem com uma impressão errada do casamento, digo a eles que foi bom enquanto durou e foram 23 anos, mas quando o amor acaba é assim não dá para continuar casada só por amizade ou respeito ou seja lá o que for, eles sabem disso pois converso muito com eles a respeito, e a separação ocorreu sem brigas nem desrespeito por nenhuma das partes, mas separação é sempre separação, principalmente quando só uma das partes é que a deseja, esse foi o meu caso. Resolvi me separar antes que sentimentos negativos começassem a fluir em nosso casamento para justamente resguardar os filhos e , a nossa dignidade e respeito e quem sabe no futuro sermos amigos.
Um abraço

Viiii disse...

Separações são sempre dolorosas e eu também queria entender por que sentimentos tão bonitos e puros podem se transformar assim. É difícil, maas acontece o tempo todo e o que podemos fazer quanto à isso é buscar sempre serenidade e discernimento, e acima de tudo não tentar enlouquecer com isso, não querer que as coisas sejam apenas como queríamos que fosse..
ótimo post!